Quarta-feira, 14 de Novembro de 2007

Inquietude #1

Proletar

Não é que goste muito de proletar, no entanto, faço-o muito amiúde no meu dia-a-dia. Durante muito tempo me enganei ou me quis enganar, afirmando que a pressão dos últimos minutos era o clímax da criação, tudo não passa de uma intricada falácia.

Até agora continuo sem compreender porque opto por adiar uma tarefa, normalmente com algo de criativo, por um período de tempo indeterminado. A consequência óbvia e prática desta escolha passa por aqueles momentos em que acordo a pensar no que ainda não fiz e adormeço a pensar no que ainda tenho de fazer. O descanso absoluto torna-se, por isso, impossível na certeza constante de que há há algo pendente. O atraso, que já e mau que chegue por ser atraso, não contribui em nada para a melhoria do resultado final, mesmo que me queira convencer do contrário. E nem a tão desejada e esfarrapada desculpa da inspiração dá sinal de vida.

Concluindo, entreguei uma semana mais tarde um texto com o igual e mau nível de qualidade do costume. Passei mais uma semana da minha existência a culpabilizar-me.

Tudo isto perde todo  sentido, que nunca teve, quando sei o prazer que sinto nos raros momentos em que cumpro os prazos estabelecidos. O sentimento de dever cumprido é algo tão difícil de igualar como é de alcançar ou talvez nos agrade tornar quase inalcançável o que está quase ao nosso alcance.

Porque teimo em escolher o outro caminho quando a opção óbvia tem claramente mais vantagens? Especialmente quando essas vantagens se traduzem num bem-estar pessoal e não meramente social.
publicado por ainquietudedesofia às 23:16
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1 comentário:
De devoltaoutravez a 17 de Novembro de 2007 às 15:34
às vezes, ou muitas vezes, somos mesmo assim. proletamos, deixamos correr o tempo, sabendo que era tão melhor se fizessemos tudo no momento certo e cumprissemos os prazos e sentissemos o dever cumprido. mas outras banalidades (que até se calhar são mais do que isso) fazem-nos atrasar.

mas tudo vai de cada um, não prefiro a pressão. mas também quantas vezes escolhemos o caminho que claramente tem mais obstáculos?...pelo menos ás vezes dá os seus frutos!

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