Quarta-feira, 14 de Novembro de 2007

Inquietude #1

Proletar

Não é que goste muito de proletar, no entanto, faço-o muito amiúde no meu dia-a-dia. Durante muito tempo me enganei ou me quis enganar, afirmando que a pressão dos últimos minutos era o clímax da criação, tudo não passa de uma intricada falácia.

Até agora continuo sem compreender porque opto por adiar uma tarefa, normalmente com algo de criativo, por um período de tempo indeterminado. A consequência óbvia e prática desta escolha passa por aqueles momentos em que acordo a pensar no que ainda não fiz e adormeço a pensar no que ainda tenho de fazer. O descanso absoluto torna-se, por isso, impossível na certeza constante de que há há algo pendente. O atraso, que já e mau que chegue por ser atraso, não contribui em nada para a melhoria do resultado final, mesmo que me queira convencer do contrário. E nem a tão desejada e esfarrapada desculpa da inspiração dá sinal de vida.

Concluindo, entreguei uma semana mais tarde um texto com o igual e mau nível de qualidade do costume. Passei mais uma semana da minha existência a culpabilizar-me.

Tudo isto perde todo  sentido, que nunca teve, quando sei o prazer que sinto nos raros momentos em que cumpro os prazos estabelecidos. O sentimento de dever cumprido é algo tão difícil de igualar como é de alcançar ou talvez nos agrade tornar quase inalcançável o que está quase ao nosso alcance.

Porque teimo em escolher o outro caminho quando a opção óbvia tem claramente mais vantagens? Especialmente quando essas vantagens se traduzem num bem-estar pessoal e não meramente social.
publicado por ainquietudedesofia às 23:16
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Sexta-feira, 2 de Novembro de 2007

Freakin' and fuckin' Friday!!!

Porque não, não é só o trabalho. E engane-se aquele que pensa que são só os telefonemas de última hora a querer coisas para ontem que tornam a Sexta-feira em algo deminíaco. Nem sequer é o facto de ter de falar com a mesma pessoa que, infelizmente tem uma voz um bocado afectada, sete ou mais vezes na mesma tarde. E até se pode alegar que a descoberta de um erro num ficheiro que se julgava arquivado até ao resto da nossa vida arruina o dia e, no entanto, continua a ser um pouco mais do que isso.

É o calor inesperado do escritório que estraga a tão esmerada coordenação de cores e nos obrigar a dispensar aquela camisola a meio do dia, o que é uma pena, porque ficava mesmo bem por cima da camisa verde,  ou pelo menos era o que eu pensava e até estava num daqueles dias raros que começaram com uma inusitada confiança matinal durante a mirada rápida ao espelho antes de descer os degraus a correr.  E nem assim as ditas cores resistiram até ao final do dia.

Sair para almoçar com o casaquinho que não é quente nem frio e perceber que, tal e qual como nos tempos do secundário, continuamos a não saber exactamente a quantidade e volume de roupa de que precisamos. Como se não bastasse, a porcaria das sapatilhas favoritas, já usadas mas ainda muito fashion, lembram-se de se tornar ligeiramente desconfortáveis.

Uma hora depois do previsto saio do escritório e chego à brilhante conclusão de que meio mundo decidiu vir passar o fim-de-semana a Barcelona. E tudo me parece um normal e, por isso, caótico dia de Agosto com as devidas excepções; a temperatura e a cor do céu.

E eu já só penso nos crepes que tenho à espera em casa - abençoada Teresa! Para que as coisas melhorem definitivamente decido investir numa bela embalagem de Nutella, erro crasso. Porque são os turistas e os locais e os vizinhos e o raio a quatro e todos parecem ter 'marcado cita' no supermercado.... Deixei de contar os minutos e de tentar perceber qual a fila menos lenta, porque nenhuma era rápida, e olhava para o meu Nutella a antecipar aquela primeira dentada no crepe receheado com uma quantidade excessivamente generosa daquilo a que chamam creme de avelãs, o que me parece um óptimo eufemismo para quantidades calóricas de chocolate. Escusado será dizer que tive de trazer uma garrafa de vinha branco por arrasto, é daqueles dias em que o chocolate não salva tudo.

Depois da indecisão na escolha das filas, da demora manifestamente superior daquela que escolhi e de muitos pensamentos psicóticos; o querer ir embora mas ao mesmo tempo convencer-me de que quem espera 10 espera 15 (ou 30!) e querer abrir o frasco de Nutella desenfreada e descontroladamente e enfiar um dedo maroto ao mesmo tempo que me imaginava a sorrir maliciosamente para toda aquela gente que tem também uma tremenda falta de percepção de espaço vital porque estão sempre quase em cima de nós...

E o Nutella e o crepe, já os visualizo e isso ajuda-me a subir os 96 degraus com a certeza de que, hoje, não os vou descer. Finalmente! Chego a casa, ao sossego desejado e ao início, já tardio, da não acção.

...

Imagino que esta minha descoberta já seja uma verdade universal para a grande maioria dos mortais e mesmo que sempre suspeitasse que devia haver algo mais a contribuir para a mística da Sexta-feira, só hoje o senti na pele. Muito provavelmente porque também só há pouco tempo tenho um desses mal-amados empregos de escritório.

Durante os tempos de estudo (pouco) a Sexta-feira era apenas o prelúdio para um período de menor actividade institucional, ou seja, se durante a semana já não fazia muito a Sexta-feira anunciava dois dias de não existência ou de não acção.

Durante os 11 meses de trabalho por turnos quase nunca sabia quando era Sexta ou Quinta ou mesmo Domingo. E mesmo aqui, nesta cidade de loucos, sempre resisti a essa ideia negativa do último dia da semana, porque é precisamenete isso que deve ser celebrado, o facto de ser o último.

Percebo agora o meu erro. Um feriado à Quinta-feira altera bastante a nossa perspectiva ou talvez sirva apenas para isso mesmo, para pôr as coisas em perspectiva. Ontem estava feliz e conente da vida, sinónimos de satisfeita (coisa rara de há uns anos para cá) a pensar na delícia de dia que tinha tido: folga do trabalho, bom tempo, passeiozinho com amigos e conversas que questionam as poucas certezas que se julgavam adquiridas.

Enquanto jantava estava p'ra aqui a falar com a Federique e a prever  meu dia que, pensava eu seria bastante calmo, no fundo queria que fosse o tal prelúdio para a não acção.

publicado por ainquietudedesofia às 19:10
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